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| Divulgação/Reprodução |
Obra de Mírian do Nascimento Machado acompanha memórias, tradições e relações comunitárias que ajudaram a formar dois bairros urbanizados da cidade
A cultura caiçara de Paraty ganha um novo olhar para além do tradicional Centro Histórico com o livro Parque da Mangueira e Ilha das Cobras: o tradicional na territorialidade contemporânea de Paraty, de Mírian do Nascimento Machado. Publicada pela Editora Multifoco, a obra investiga como famílias vindas de comunidades costeiras e rurais levaram para esses dois bairros suas memórias, tradições, relações de parentesco e formas de ocupar o território.
Resultado da pesquisa de mestrado realizada pela autora na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), a publicação parte de uma região da cidade que costuma aparecer menos nas narrativas associadas à imagem turística de Paraty. A pesquisa acompanha a formação cultural do Parque da Mangueira e da Ilha das Cobras e observa como diferentes gerações preservaram e transformaram práticas ligadas à vida comunitária.
Ciranda, alimentação, quintais, plantas medicinais, festas, relações familiares e memórias transmitidas entre gerações estão entre os elementos analisados por Mírian. Em vez de tratar essas manifestações como algo isolado do processo de urbanização, o estudo mostra como elas foram incorporadas ao cotidiano dos bairros e passaram por adaptações diante das novas relações sociais, econômicas e urbanas.
Nascida e criada em Paraty, Mírian também possui uma relação pessoal com o território pesquisado. Ela cresceu no Parque da Mangueira e desenvolveu parte da investigação a partir da memória familiar e da convivência com moradores que participaram da formação dos bairros. O resultado combina referências acadêmicas com uma cartografia construída a partir da experiência direta com os espaços e seus habitantes.
A trajetória profissional da autora também está ligada à cultura e à educação. Graduada em Serviço Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), especialista em Mídia, Tecnologia da Informação e Novas Práticas Educacionais pela PUC-Rio e mestra em Comunicação pela UERJ, Mírian atua desde 2006 em organizações sociais e culturais.
Entre suas experiências estão trabalhos no Cinema Nosso e iniciativas voltadas à formação audiovisual de jovens de Paraty. Depois de retornar ao município, em 2019, participou de projetos como a Remada Ecológica e o Arrastão do Jabaquara, dirigiu o Cinema da Praça e a Casa da Cultura de Paraty e passou a atuar com planejamento, gestão e governança no Observatório dos Territórios Saudáveis e Sustentáveis.
A pesquisa também se desdobrou em iniciativas culturais nos bairros. Em 2024, Mírian e sua mãe, Marli Nascimento, fundaram o Instituto Manga, organização sediada no Parque da Mangueira que promove ações culturais, ambientais e tecnológicas voltadas principalmente aos moradores da Mangueira e da Ilha das Cobras, com atenção a mulheres e jovens.
No mesmo ano, surgiu o Manga Festival, criado para levar para as ruas questões relacionadas à memória e à identidade local. Uma das ações foi a exposição fotográfica Territorialidades Daqui, que reuniu registros da vida cotidiana dos dois bairros. Em sua primeira edição, 47 fotografias foram inscritas em chamada pública, com 14 selecionadas para serem instaladas nas fachadas de casas da Rua Leonides Lengrubiler de Azevedo, transformando o caminho em uma galeria a céu aberto.
A segunda edição ampliou a exposição para 29 fotografias e incluiu novas ações de valorização da memória comunitária. Entre elas estiveram uma homenagem ao mestre cirandeiro João de Deus, placas em imóveis relacionados à história do bairro, um desfile de estudantes pelas ruas da Mangueira e o chamado tombamento afetivo de um pé de manga associado à origem do nome do local.
O livro amplia esse debate ao abordar questões presentes em cidades históricas que convivem com o crescimento do turismo e a transformação dos espaços urbanos. No caso de Paraty, a pesquisa aproxima a projeção internacional do município das experiências dos moradores que construíram suas trajetórias fora do circuito monumental.
Reconhecida pela Unesco como patrimônio mundial por seu conjunto cultural e sua biodiversidade, Paraty também é marcada por comunidades e territórios que ajudam a compor sua identidade contemporânea. Ao concentrar o olhar no Parque da Mangueira e na Ilha das Cobras, Mírian registra como práticas culturais podem permanecer vivas, ainda que modificadas pelas mudanças na cidade.
Apresentado ao público em julho de 2026, durante a programação da Casa Paraty na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), Parque da Mangueira e Ilha das Cobras: o tradicional na territorialidade contemporânea de Paraty chega como um registro sobre memória, território e pertencimento. A publicação custa R$ 70 e está disponível na loja virtual da Editora Multifoco.
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| Capa do livro |


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