Mostra aproxima cinemas do Brasil e da Coreia do Sul na Cinemateca Brasileira

Eles não usam black-tie (1981) / Divulgação 

 Parceria com o Centro Cultural Coreano no Brasil e o Korean Film Archive reúne obras de Leon Hirszman e Park Kwang-su entre 19 de fevereiro e 1º de março, com entrada gratuita

Entre 19 de fevereiro e 1º de março, a Cinemateca Brasileira promove a mostra O realismo crítico de Leon Hirszman e Park Kwang-su, conectando cinematografias do Brasil e da Coreia do Sul em sessões gratuitas. A iniciativa ocorre em colaboração com o Centro Cultural Coreano no Brasil e o Korean Film Archive.

A programação coloca em perspectiva dois realizadores cujas trajetórias foram atravessadas por contextos de regimes autoritários e intensa participação política: Leon Hirszman e Park Kwang-su. Em comum, filmografias que investigam trabalho, mobilização popular, democracia e tensões de classe.

Do lado brasileiro, títulos como Eles não usam black-tie (1981), São Bernardo (1972) e ABC da Greve (1979–1990) revelam um olhar atento às estruturas de poder e às lutas operárias. Já a seleção sul-coreana inclui Chilsu e Mansu (1988), marco do Korean New Wave, Eles também são como nós (1990) e O extraordinário jovem Jeon Tae-il (1995), inspirado em um caso real que se tornou símbolo da reivindicação por direitos trabalhistas.

Segundo Cheul Hong Kim, diretor do Centro Cultural Coreano no Brasil, o projeto fortalece o intercâmbio cultural ao destacar como sociedades distintas enfrentaram desafios semelhantes. Maria Dora Mourão, diretora-geral da Cinemateca, ressalta que o diálogo amplia o acesso à obra de Park, ainda pouco exibida no país, ao mesmo tempo em que renova a leitura sobre Hirszman.


Cinema e engajamento

As primeiras experiências dos dois cineastas coincidem com a militância política. Hirszman participou do Centro Popular de Cultura (CPC) da UNE e integrou a geração do Cinema Novo, ao lado de nomes como Glauber Rocha. Park, por sua vez, atuou em cineclubes universitários e ajudou a consolidar o movimento conhecido como Korean New Wave, associado às demandas democráticas do movimento minjung.

Ao aproximar essas trajetórias, a mostra convida o público a refletir sobre como arte, memória e história se entrelaçam em diferentes contextos nacionais.


📍 Serviço — Mostra O realismo crítico de Leon Hirszman e Park Kwang-su

Local: Cinemateca Brasileira

Endereço: Largo Senador Raul Cardoso, 207 – Vila Mariana – São Paulo (SP)

Entrada: Gratuita

Retirada de ingressos: 1 hora antes de cada sessão

Sala: Grande Otelo


📅 Programação completa


19/02 (quinta-feira)

20h — Sessão dupla: Pedreira de São Diogo + O extraordinário jovem Jeon Tae-il


20/02 (sexta-feira)

17h30 — Eles também são como nós

20h — Sessão dupla: Maioria absoluta + Eles não usam black-tie


21/02 (sábado)

20h — Chilsu e Mansu


22/02 (domingo)

15h — Quero ir àquela ilha

17h30 — A falecida


25/02 (quarta-feira)

20h — Quero ir àquela ilha


26/02 (quinta-feira)

16h — Curtas em 8mm de Park Kwang-su

17h30 — Chilsu e Mansu

20h — Garota de Ipanema


27/02 (sexta-feira)

15h — A rebelião

17h30 — Sessão dupla: Pedreira de São Diogo + ABC da Greve


28/02 (sábado)

15h — O admirável jovem Jeon Tae-il (A Single Spark)

17h30 — Sessão especial A música popular por Leon Hirszman

20h — A rebelião


01/03 (domingo)

15h — Eles também são como nós

17h30 — São Bernardo

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