Já considerada um fenômeno de 2026, a série tem início eletrizante, perde força, mas retoma com dramas e revelações surpreendentes
O ano mal começou e já temos uma forte candidata a melhor minissérie e “queridinha” do público. Sucesso absoluto de crítica e audiência, All Her Fault (Prime Video) tem tudo para se tornar a “Adolescência” deste ano. Mesclando suspense psicológico, segredos e reviravoltas em um drama familiar envolvente, com ótimos diálogos entre os personagens, a trama prende o espectador desde o primeiro minuto e segue assim ao longo de seus oito capítulos.
O início já é eletrizante e, sem perder tempo, logo no primeiro minuto é apresentado o caso de Milo, um garoto doce de apenas seis anos que foi sequestrado por uma das babás que trabalha no círculo de famílias envolvidas. A mãe de Milo vai buscar o filho em um endereço recebido por mensagem de outra mãe, a de um amigo da escola do garoto, mas, ao chegar ao local, descobre que Milo nunca esteve ali. A partir daí, tem início uma busca desesperada dos pais pelo seu paradeiro e, à medida que a história se desenvolve, segredos vêm à tona e a família de Milo começa, aos poucos, a desmoronar.
A mãe de Milo, interpretada pela mundialmente famosa Sarah Snook, conhecida por seu papel como Shiv Roy na série Succession, entrega momentos brilhantes ao longo de todos os episódios, com destaque para os ótimos diálogos e reflexões com o policial designado para o caso, o detetive Alcaras, interpretado por Michael Peña (Crash, World Trade Center).
Além de lidar com o sequestro do filho, Marissa enfrenta dramas familiares e segredos escondidos há anos que vão sendo revelados. Já o detetive Alcaras também carrega conflitos pessoais, como a relação com seu filho especial e a deficiência da estrutura americana pela falta de políticas públicas voltadas a esses jovens, o que o coloca constantemente à prova ética, trazendo reflexões relevantes e uma conexão genuína com Marissa, ao compreender sua dor e se colocar no lugar de uma mulher em meio a uma tormenta familiar e à falta de respostas sobre o paradeiro do filho.
Dakota Fanning (Chamas da Vingança, Os Observadores, Guerra dos Mundos), que interpreta a mãe que supostamente enviou o endereço para Marissa e também a responsável por contratar a babá envolvida no rapto, conheceu Marissa em uma oportunidade anterior ao ocorrido. Quando se espera algum tipo de confronto entre elas após o sequestro, o roteiro segue por um caminho oposto, desenvolvendo uma amizade inesperada, construída pela empatia da personagem de Fanning, que desde o primeiro momento se coloca no lugar de Marissa e faz de tudo para ajudá-la na busca, mesmo que isso represente riscos futuros à sua vida pessoal e profissional, que está em ascensão.
Prepare-se para uma surpresa atrás da outra
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Assim como outras minisséries de sucesso dos últimos anos, All Her Fault não economiza nos “plot twists”. O enredo leva o telespectador a seguir uma linha de raciocínio que logo é desmontada por novas revelações, capazes de mudar completamente a perspectiva construída em torno de alguns dos personagens envolvidos. O diretor espalha pequenos detalhes ao longo dos diálogos e das cenas, que merecem atenção e fazem o público questionar, a todo momento, se tudo é realmente o que parece. Por isso, é preciso cautela ao definir “mocinhos” e “bandidos”, pois, nesse roteiro, as aparências enganam.
All Her Fault está disponível no Prime Video, conta com oito episódios e, assim como Adolescência no ano passado, tem tudo para se tornar uma forte candidata a levar os principais prêmios que concorrer, inclusive suas atrizes principais, Sarah Snook e Dakota Fanning, que entregam atuações intensas e elevam ainda mais uma série que já se destaca pelo roteiro.


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