![]() |
| Oasis no Morumbi |
Banda emplacou sequência incrível de clássicos durante toda a apresentação ao ponto de hiato cair no esquecimento dos fãs
Um petardo apoteótico. Assim pode ser definido o show do Oasis no estádio do Morumbi no sábado (22), diante de 70 mil pessoas. Foram duas horas intensas e insanas, com um setlist repleto de sucessos que não apenas marcaram os anos 1990 e 2000, como também ajudaram a moldar o perfil provocador da banda.
Enquanto o mundo se entregava ao grunge de Seattle, com letras sombrias, introspectivas e melancólicas, os irmãos Gallagher surgiam na contramão dessa estética. Suas composições, a maioria assinada por Noel, falavam de esperança, sonhos e amor, sempre com arranjos diretos e refrãos cativantes, daqueles que grudam na cabeça.
Essas características do Britpop ficaram evidentes ao longo da “Live '25 Tour”, que celebrou o retorno do Oasis aos palcos após 17 anos. Em São Paulo não foi diferente. Do início com “Hello” ao epílogo de “Champagne Supernova”, o coro do público fez o hiato quase desaparecer da memória, dando a sensação de que o grupo nunca parou.
Show manjado, porém excelente
Apesar de seguir um roteiro fixo, repetido em todas as apresentações, a banda mantém o público atento como se cada gesto e fala fossem inéditos. Mesmo a ordem das músicas, previsível para quem acompanha a turnê, foi recebida com requintes de surpresa pelos presentes, que se deixaram valer pela nostalgia e cantaram cada uma a plenos pulmões, além dos braços erguidos em cada refrão.
Das 23 faixas, 20 vieram dos dois primeiros álbuns da carreira: “Definitely Maybe” (1994) e “(What’s the Story) Morning Glory?” (1995), responsáveis por levar o Oasis ao topo das paradas britânicas e norte-americanas. A escolha acertada fez com que a energia se mantivesse inabalável.
Liam e Noel Gallagher, como sempre, são o centro das atenções. A entrada dos dois de mãos dadas arrancou gritos e aplausos, e a mensagem “This is not a drill” exibida no telão foi cumprida com rigor: muito rock n’ roll. “Hello” abriu o espetáculo como uma verdadeira celebração: “Olá, olá, diz que é bom estar de volta”.
A sequência inicial manteve o gás com “Acquiesce”, “Morning Glory”, “Some Might Say” e “Bring It On Down”. O estádio veio abaixo quando Liam pediu para o público virar de costas antes dos primeiros acordes de “Cigarettes & Alcohol”. O gesto, o famoso “Poznan”, popularizado pelos torcedores do Lech Poznań, da Polônia, e pelo Manchester City, time de coração dos irmãos Gallagher, levou a plateia ao delírio.
Noel brilhou em “Talk Tonight” (dedicada às mulheres), “Half the World Away”, “Little by Little”, “D’You Know What I Mean?” e “Stand by Me”. Emocionado, entregou um momento mais intimista enquanto Liam deixava o palco para descansar.
O retorno do vocalista trouxe de volta o fervor do estádio, encerrando a primeira parte com “Live Forever”, dedicada a Gary Mounfield, do Stone Roses, e a explosiva “Rock ’n’ Roll Star”. O verso “Tonight I’m a rock ’n’ roll star” encaixou perfeitamente no clima da noite.
No encore, Noel retornou com “The Masterplan” e o hino “Don’t Look Back in Anger”, com mais um coro estrondoso. Os irmãos se reuniram novamente para a apoteose de “Wonderwall” e fecharam com grandeza em “Champagne Supernova”, destacando a afinação impecável de Liam.
Oasis no Brasil não tem idade e deixou marcas
O público mostrou que o Oasis atravessa gerações. Pais e filhos cantaram lado a lado refrãos que marcaram época há 30 anos. O ápice desse encontro de eras aconteceu em “Don’t Look Back in Anger”. Noel apenas sinalizou o início do refrão, e o estádio respondeu com um coro poderoso, que deixou o guitarrista visivelmente emocionado.
“Live Forever” também marcou a noite, com a homenagem a Mani, morto em 20 de novembro aos 63 anos. A lembrança rendeu lágrimas e mais um momento emocionante, reforçando o legado da faixa frequentemente citada como uma das melhores músicas de todos os tempos, como na votação promovida pela revista Q em 2006.
Abertura com Richard Ashcroft
O início da noite ficou por conta de Richard Ashcroft, que trouxe seu repertório de clássicos que também marcaram época. Com um rock que levantou o público, os 40 minutos de apresentação foram um bom aperitivo do que viria a seguir.
O vocalista segurou bem a bronca e não se intimidou diante de tamanha plateia. Foram apenas sete músicas, mas o suficiente para animar o estadio lotado, agraciado com uma viagem no tempo. Do set, seis faixas foram do The Verve, um prato cheio para uma noite de puro rock noventista. A clássica "Bitter Sweet Symphony", que também homenageou Gary Mani, foi o grande momento de Richard no palco, ao arrancar coros no ritmo da melodia marcante e histórica da canção.

0 Comentários