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Foto: Sony Music |
Icônico disco ajudou a impulsionar o grunge ao mainstream e estabeleceu o ativismo da banda
Em 27 de agosto de 1991, o mundo do rock tomou um novo rumo e ganhou uma nova identidade com o lançamento de "Ten", álbum de estreia do Pearl Jam. Trinta e quatro anos depois, suas canções como “Alive”, “Even Flow” e “Jeremy” ainda mantêm uma força visceral, enquanto a essência da segue moldando a cultura musical contemporânea e influenciando novos estilos.
Após a trágica dissolução da Mother Love Bone, Jeff Ament e Stone Gossard buscaram recomeçar com novas parcerias. A introdução de Eddie Vedder ao grupo foi quase cinematográfica: ele recebeu uma fita demo com instrumentais e respondeu com letras e voz, o suficiente para rapidamente se tornar parte essencial da formação. Tempos depois, com Mike McCready e Dave Krusen, o grupo gravou seu primeiro álbum, entre março e abril de 1991, no London Bridge Studios (Seattle), com produção de Rick Parashar e dos próprios integrantes, e finalizou as mixagens em junho, em Ridge Farm (Inglaterra).
Som, influência e consolidação
Embora frequentemente classificado como grunge, "Ten" se distingue por sua fusão com o rock clássico — influências perceptíveis nas guitarras e nas construções grandiosas das canções, trazendo comparações com Jimi Hendrix e Led Zeppelin. Outra influência vem do movimento punk, em alta na época.
O álbum demorou a decolar comercialmente, mas até o final de 1992 já ocupava a posição número 2 na Billboard 200. Suas canções emblemáticas como “Black”, “Release” e “Jeremy” conquistaram prêmios e seguem atemporais. "Jeremy", por exemplo foi indicada ao Grammy e conquistou quatro prêmios no MTV Video Music Awards 1993, incluindo Vídeo do Ano. Com o tempo, "Ten" se tornou um marco do grunge e do rock alternativo dos anos 1990. Em 2021, foi reconhecido no Grammy Hall of Fame.
Legado cultural e atualidade
Hoje, 34 anos depois, "Ten" continua relevante. Suas temáticas de alienação, introspecção e busca por sentido ainda dialogam com jovens, enquanto sua estética crua e emocional permanece atual. O site Claiborne Parish Journal ressalta que o álbum “ancorou o movimento grunge” e destaca a postura anti-mainstream autêntica da banda — que evitava esgotamento comercial e defendia uma relação direta com os fãs.
Ao comentar sobre a obra o guitarrista Mike McCready reflete com espanto sobre a origem do álbum: “Como tudo isso aconteceu? E por que aconteceu? Ainda não tenho respostas… talvez destino, tempo, sorte ou talento.” Eddie Vedder, por sua vez, já declarou sobre o processo criativo: “Não posso realmente levar crédito por muito disso… estou focado neste espaço; onde a música flui, e eu sinto as palavras, sem pensar na técnica vocal. Só deixo vir.”
Com mais de 13 milhões de cópias vendidas nos Estados Unidos (certificação 13× platina), "Ten" permanece o álbum mais bem-sucedido da banda. Seu legado transcende gerações, aparecendo frequentemente em trilhas sonoras, playlists e sendo regularmente citado em rankings dos maiores álbuns de todos os tempos.
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