IMS Paulista inaugura exposição gratuita sobre Laudelina de Campos Mello, pioneira dos direitos das trabalhadoras domésticas no Brasil

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 “Dignidade e luta: Laudelina de Campos Mello” estreia em 16 de maio na Avenida Paulista com documentos históricos, obras de 40 artistas, performances, debate e programação especial que revisita o legado de uma das maiores lideranças antirracistas e sindicais do país

O IMS Paulista abre neste sábado, 16 de maio, em São Paulo, a exposição gratuita Dignidade e luta: Laudelina de Campos Mello, mostra inédita que resgata a trajetória da ativista negra e sindicalista responsável por transformar a luta das trabalhadoras domésticas no Brasil, reunindo cerca de 160 itens históricos, obras de aproximadamente 40 artistas de diferentes gerações, instalações comissionadas, programação cultural especial e uma ampla reflexão sobre trabalho, raça, memória e justiça social até 22 de novembro.

Após temporada em Poços de Caldas, a exposição chega ao IMS Paulista, na Avenida Paulista, 2424, ocupando principalmente o 6º andar, além de outros espaços do centro cultural, para apresentar a vida, o pensamento e a militância de Laudelina de Campos Mello (1904-1991), figura central na organização política das trabalhadoras domésticas brasileiras e referência histórica na luta antirracista. Com curadoria da artista e educadora Renata Sampaio e da historiadora Raquel Barreto, com assistência do museólogo Phelipe Rezende, a mostra entrelaça documentos, fotografias, vídeos, matérias de imprensa, objetos históricos e obras contemporâneas para reconstruir a trajetória de uma mulher que enfrentou o racismo estrutural e a exclusão trabalhista desde o início do século XX.

Nascida em Poços de Caldas, Minas Gerais, Laudelina começou a trabalhar como empregada doméstica ainda jovem e, ao longo de sua vida, construiu uma trajetória marcada pela criação de associações de defesa da categoria, como a Associação Beneficente das Trabalhadoras Domésticas de Santos, em 1936, e a Associação das Empregadas Domésticas de Campinas, em 1961. Sua atuação passou também pela Frente Negra Brasileira, pelo Partido Comunista e pelo Partido dos Trabalhadores, consolidando uma história política que antecedeu em décadas a PEC das Domésticas, promulgada apenas em 2013.

Dividida em sete núcleos, a mostra aborda desde as raízes escravocratas do trabalho doméstico no Brasil até a construção de espaços de resistência e celebração promovidos por Laudelina, incluindo bailes e associações culturais voltadas à população negra. Entre os destaques estão fotografias, convites e documentos ligados a iniciativas como o Clube 13 de Maio e o Baile Pérola Negra, revelando como lazer, autoestima e cultura também foram instrumentos de mobilização política. As curadoras destacam que Laudelina defendia não apenas direitos trabalhistas, mas igualdade plena de acesso a todos os espaços sociais.

O projeto reúne trabalhos de nomes como Maria Auxiliadora, Rosana Paulino, Walter Firmo, Djanira, Arthur Bispo do Rosário, Emicida, Gê Viana, Arjan Martins e Dyana Santos, além de obras inéditas de artistas como Rainha Favelada e Mitti Mendonça, criadas especialmente para a exposição. Um dos pontos altos é a instalação interativa de Dyana Santos, com uma cadeira de balanço que simboliza descanso, dignidade e reparação para trabalhadoras domésticas historicamente privadas do direito ao lazer.

A abertura contará com programação especial: às 11h, debate com a equipe curatorial no cinema do IMS; às 17h, performance Lavar a roupa suja da História, de Mariana Maia; e, no domingo, 17 de maio, show gratuito da banda Ngá com participação de Izzy Gordon, inspirado nos bailes organizados por Laudelina. A exposição também será acompanhada por publicação inédita com textos curatoriais e ensaios de pesquisadores como Elisabete Aparecida Pinto, Joel Zito Araújo e Juliana Teixeira.

Mais do que uma retrospectiva biográfica, Dignidade e luta propõe uma revisão histórica sobre o papel das trabalhadoras domésticas na formação econômica e social do Brasil, colocando Laudelina de Campos Mello no centro de uma narrativa de resistência, emancipação e transformação que segue atual. Ao homenagear sua trajetória, o IMS Paulista amplia o debate sobre memória, arte e direitos sociais, oferecendo ao público uma experiência essencial para compreender as estruturas de desigualdade ainda presentes no país.

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Serviço:

Exposição Dignidade e luta: Laudelina de Campos Mello

Abertura: 16 de maio

Visitação: até 22 de novembro

Local: IMS Paulista – Avenida Paulista, 2424, São Paulo

Horário: terça a domingo e feriados, das 10h às 20h

Entrada gratuita

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