![]() |
| Divulgação |
Reedição de 2015 restaurou o nome originalmente escolhido pelo cantor para o disco lançado em 1999 e marcou a primeira chegada do trabalho em vinil
Há 11 anos, em 14 de agosto de 2015, Chris Cornell relançava seu primeiro álbum solo, originalmente conhecido como Euphoria Morning, com o título que havia imaginado desde o início: Euphoria Mourning. A nova edição, remasterizada e disponibilizada em CD, formatos digitais e, pela primeira vez, em vinil, recuperou uma escolha que o vocalista do Soundgarden havia sido convencido a abandonar antes da estreia do trabalho, em 1999.
O disco chegou ao mercado originalmente em 21 de setembro de 1999, pela A&M Records, pouco depois do fim do Soundgarden e antes da formação do Audioslave. O projeto apresentou uma faceta mais intimista de Cornell e contou com participação fundamental de Alain Johannes e Natasha Shneider, integrantes do Eleven, que colaboraram na composição e também trabalharam na produção, engenharia e mixagem de várias faixas.
A relação de Cornell com o nome do álbum, porém, sempre foi mais profunda do que uma simples diferença ortográfica. O músico havia escolhido originalmente Euphoria Mourning, expressão que combinava a ideia de euforia com luto. Pouco antes do lançamento, entretanto, surgiu a preocupação de que o público pudesse não saber se a segunda palavra era “mourning” ou “morning” ao ouvir o título em entrevistas e programas de rádio.
Em entrevista à Rolling Stone Australia, Cornell explicou que estava atravessando um período particularmente difícil quando criou o álbum. O Soundgarden havia terminado, seu casamento estava em crise e ele enfrentava problemas relacionados ao consumo excessivo de álcool e à depressão. Segundo o cantor, o título Euphoria Mourning refletia justamente aquele momento.
A sugestão para trocar “Mourning” por “Morning” veio de seu então empresário, Jim Guerinot. Cornell acabou aceitando a mudança, embora posteriormente tenha admitido que nunca ficou satisfeito com a decisão. Anos depois, ao preparar a primeira edição do álbum em vinil, decidiu recuperar a grafia original.
“O título do disco foi restaurado à sua grafia original, que foi alterada antes do lançamento depois que ouvi alguns maus conselhos”, afirmou Cornell no anúncio da reedição de 2015.
A correção também alterou o significado percebido da obra. Euphoria Morning poderia sugerir uma espécie de “manhã de euforia”, enquanto Euphoria Mourning aproxima as duas palavras de uma ideia de felicidade atravessada pela perda. Para Cornell, essa segunda possibilidade representava melhor o conteúdo emocional das músicas.
A nova versão chegou às lojas em 14 de agosto de 2015, exatamente 16 anos depois do álbum original, e ganhou uma versão em vinil de 180 gramas, além das edições em CD e digital com áudio remasterizado. A edição física manteve as 12 músicas da versão principal, incluindo “Can’t Change Me”, “Flutter Girl”, “Preaching the End of the World”, “When I'm Down”, “Wave Goodbye”, “Sweet Euphoria” e “Steel Rain”.
“Can’t Change Me” permanece como uma das faixas mais importantes da fase inicial da carreira solo de Cornell. A música recebeu indicação ao Grammy de Melhor Performance Vocal de Rock Masculina em 2000, sendo a primeira indicação do cantor nessa categoria como artista solo.
Outro destaque é “Wave Goodbye”, composição associada à amizade de Cornell com Jeff Buckley. A faixa se tornou uma das peças mais marcantes do repertório do álbum e reforça o caráter melancólico de uma obra que, apesar de apresentar momentos de peso, também explora elementos acústicos, psicodélicos, folk e rock alternativo.
A produção também ajudou a estabelecer uma identidade própria para Cornell fora do Soundgarden. Alain Johannes e Natasha Shneider tiveram participação expressiva no processo, e o álbum contou ainda com músicos como Josh Freese, Matt Cameron, Jason Falkner e outros convidados.
Mais do que uma simples reedição de catálogo, Euphoria Mourning de 2015 representou uma espécie de correção histórica feita pelo próprio artista. O álbum que durante 16 anos carregou o nome Euphoria Morning finalmente passou a utilizar a grafia concebida por Cornell desde o começo.
Hoje, 11 anos após aquele relançamento, a importância da edição está justamente nesse detalhe que muda toda a interpretação do título. Euphoria Mourning não apenas recuperou uma letra retirada do nome original: devolveu ao primeiro trabalho solo de Chris Cornell uma expressão que, segundo o próprio músico, traduzia melhor o estado emocional em que aquelas canções foram criadas.

0 Comentários