Levitation Brasil estreia em São Paulo com Melvins, Osees, Boris e Frankie and the Witch Fingers

Divulgação 

 Festival cultuado de Austin terá primeira edição brasileira em janeiro de 2027, com oito atrações, feira independente e circuito sul-americano que também passará por Argentina e Chile

O Levitation Brasil fará sua estreia em São Paulo no dia 23 de janeiro de 2027, levando ao Komplexo Tempo uma seleção de nomes que transitam pelo rock psicodélico, punk, metal, garage, noise e música experimental. A primeira edição brasileira do festival de Austin, no Texas, terá Melvins, Osees, Boris e Frankie and the Witch Fingers entre as atrações internacionais, além dos brasileiros Test, Bike, Ema Stoned e Bufo Borealis.

A realização é da Maraty, com apoio da Powerline e patrocínio da Kunumi. O evento integra uma nova etapa internacional do Levitation, que também terá edições em Buenos Aires, em 20 de janeiro, e Santiago, em 21 de janeiro de 2027, formando um circuito pela América do Sul.

Os ingressos para o Levitation Brasil começam a ser vendidos às 10h de 19 de agosto, pela Fastix. Também haverá venda física sem taxa na Loja 255 da Galeria do Rock, na Rua 24 de Maio, 62, no Centro de São Paulo. Segundo informações divulgadas pela organização à imprensa, a entrada inteira custa R$ 700, com opções de meia-entrada e meia solidária.

A programação terá ainda uma feira dedicada à produção independente, reunindo discos, camisetas, livros, pôsteres e outros produtos de marcas, selos e editoras alternativas. A proposta acompanha a identidade do festival original, que construiu sua reputação justamente pela combinação de música underground, curadoria autoral e proximidade entre artistas e público.


De Austin para São Paulo

Criado em 2008 com o nome Austin Psych Fest, o Levitation nasceu como uma iniciativa independente ligada a integrantes do The Black Angels e amigos. A primeira edição aconteceu no Red Barn, em Austin, reunindo dez artistas em um único dia. No ano seguinte, o evento já havia crescido para três dias.

O nome Levitation foi adotado posteriormente em homenagem ao The 13th Floor Elevators, grupo pioneiro da psicodelia texana. A banda voltou a se apresentar em 2015 durante o festival, em uma reunião que marcou os 50 anos de sua formação.

Ao longo de quase duas décadas, a curadoria ampliou suas fronteiras. Psicodelia continua no centro da identidade, mas o evento passou a incorporar também indie rock, dream pop, punk, metal, darkwave, eletrônica e outras vertentes experimentais. A própria organização define o Levitation como um espaço dedicado às diferentes gerações da música independente.

A trajetória internacional começou com o Levitation France e posteriormente alcançou outras cidades. O festival também mantém uma atuação ligada ao mercado fonográfico por meio da Reverberation Appreciation Society, selo e coletivo responsável por lançamentos e registros de apresentações associados ao evento.

A edição de Austin segue ativa em 2026. O arquivo oficial do festival registra 69 artistas no cartaz previsto para setembro, mostrando a dimensão alcançada pela marca desde sua primeira edição, que teve apenas dez atrações.


Melvins retorna ao Brasil

Um dos nomes mais importantes do cartaz é o Melvins, banda formada em 1983 no estado de Washington e liderada por Buzz Osborne. Com Dale Crover na bateria desde 1984, o grupo ajudou a estabelecer uma ponte entre hardcore, punk e música pesada, tornando-se uma influência fundamental para o desenvolvimento do sludge e para a geração do rock alternativo que ganhou força no noroeste dos Estados Unidos.

A discografia inclui trabalhos como Gluey Porch Treatments, Bullhead, Lysol, Houdini e Stoner Witch. A banda também ficou conhecida pela disposição para modificar sua formação e experimentar diferentes configurações instrumentais.

O retorno ao Brasil acontece após uma longa ausência. A participação no Levitation será uma oportunidade para o público brasileiro reencontrar um dos grupos mais influentes do underground norte-americano.


Osees leva psicodelia e caos ao festival

Liderado por John Dwyer, o Osees é outro destaque internacional da programação. A banda construiu uma trajetória marcada por constantes mudanças de nome, formação e direção musical, passando por garage rock, psicodelia, krautrock, hardcore, synth punk e experimentação eletrônica.

A presença de duas baterias tornou-se uma das marcas dos shows recentes, criando uma base rítmica particularmente intensa para as guitarras e vocais de Dwyer.

O grupo também chega ao Brasil em uma fase de renovação. OFF COURSE, novo trabalho associado ao projeto, foi anunciado para setembro de 2026 e conta com participações de Tom Dolas e Brigid Dawson, colaboradora histórica do grupo. O próprio selo ligado ao Levitation lista o álbum entre seus próximos lançamentos.


Boris volta após primeira passagem pelo país

Diretamente de Tóquio, o Boris representa a vertente mais pesada e experimental da escalação. Formado em 1992 por Wata, Takeshi e Atsuo, o trio japonês atravessou doom, drone, sludge, noise, hardcore, shoegaze, ambient e psicodelia ao longo de uma discografia extensa.

O nome da banda veio justamente de uma faixa do álbum Bullhead, do Melvins, criando uma conexão curiosa entre dois dos principais nomes do festival.

Álbuns como Absolutego, Flood, Feedbacker, Akuma no Uta e Pink ajudaram a transformar o Boris em uma referência internacional da música pesada experimental. O grupo realizou sua primeira apresentação no Brasil em 2025 e agora retorna para uma nova passagem pelo país.


Frankie and the Witch Fingers completa quarteto internacional

O quarteto Frankie and the Witch Fingers surgiu em Bloomington, Indiana, em 2013, antes de se estabelecer em Los Angeles. A banda combina garage rock e psicodelia com post-punk, funk, new wave e elementos eletrônicos.

Entre seus trabalhos estão ZAM, Monsters Eating People Eating Monsters… e Data Doom. O álbum Trash Classic, lançado em 2025, aprofundou a aproximação do grupo com sonoridades proto-punk, industrial e new wave.

A presença do grupo reforça a proposta do Levitation de evitar uma programação restrita a um único gênero. A edição brasileira reúne artistas que têm a experimentação como ponto de encontro, ainda que partam de universos musicais bastante diferentes.


Cena brasileira ganha espaço

A escalação nacional também apresenta nomes consolidados na cena alternativa.

A Bike, formada em São José dos Campos, combina psicodelia, krautrock, rock progressivo e referências brasileiras. A banda já levou sua música para palcos internacionais, incluindo apresentações no SXSW e uma sessão para a KEXP.

O Ema Stoned, trio paulistano formado por Alessandra “AL” Duarte, Elke Lamers e Theo Charbel, trabalha com improvisação, psicodelia e rock instrumental. A banda define sua linguagem como “rock digressivo” e tem na interação entre guitarra, baixo e bateria o centro de sua criação.

Já o Test leva ao festival uma das propostas mais particulares do underground brasileiro. Formado por João Kombi e Barata, o duo construiu parte importante de sua trajetória realizando apresentações independentes na rua, muitas vezes do lado de fora de shows e estádios. A experiência acabou se transformando em uma carreira internacional, com apresentações em dezenas de países.

Fechando o elenco brasileiro está o Bufo Borealis, sexteto paulistano que cruza jazz-funk, psicodelia, rock experimental e improvisação. A banda tem como característica a construção de longos grooves e a liberdade para desenvolver os temas ao vivo.


Levitation quer criar circuito permanente na América do Sul

Para os produtores André Barcinski e Leandro Carbonato, a estreia brasileira não deve ser encarada como um evento isolado. A ideia é estabelecer uma rota sul-americana capaz de receber artistas internacionais em diferentes países.

A escolha de São Paulo, Buenos Aires e Santiago para a primeira edição regional cria justamente essa possibilidade de circuito. O projeto pretende facilitar a circulação de bandas pela América do Sul e manter o festival no continente em novas edições.

A chegada ao Brasil também representa a realização de um projeto que Barcinski começou a imaginar há mais de uma década, depois de conhecer o evento texano em 2014. Desde então, segundo o produtor, foram feitas diversas tentativas para trazer o formato ao país.

A proposta agora é transportar para São Paulo uma característica que ajudou a construir a reputação do Levitation: uma programação que não depende apenas do tamanho dos artistas, mas da conexão entre diferentes cenas e da capacidade de apresentar ao público nomes relevantes do universo independente.


Levitation Brasil 2027

Data: 23 de janeiro de 2027, sábado

Local: Komplexo Tempo

Endereço: Avenida Henry Ford, 511, Parque da Mooca, São Paulo

Atrações: Melvins, Osees, Boris, Frankie and the Witch Fingers, Test, Bike, Ema Stoned e Bufo Borealis

Ingressos: venda a partir das 10h de 19 de agosto pela Fastix

Venda física sem taxa: Loja 255 da Galeria do Rock, Rua 24 de Maio, 62, Centro

Classificação: menores de 18 anos podem entrar acompanhados de responsável legal

Produção: Maraty

Apoio: Powerline

Patrocínio: Kunumi

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