Foo Fighters aposta em diferentes caminhos em “Your Favorite Toy”, mas novo álbum sofre com repetição

Por Mauricio Ferreira e Laner Siqueira


Divulgação 

 Apesar de passagens que remetem às origens, o trabalho da banda liderada por Dave Grohl fica distante do Foo Fighters “raiz” que marcou gerações do rock

O Foo Fighters lançou no dia 24 de abril o aguardado “Your Favorite Toy”, seu décimo segundo álbum de estúdio e primeiro com Ilan Rubin na bateria. Após o tom melancólico de “But Here We Are”, disco criado em meio ao luto pela morte de Taylor Hawkins, a banda liderada por Dave Grohl tenta revisitar o som cru, acelerado e explosivo que transformou o grupo em um dos maiores nomes do rock mundial nos anos 1990 e 2000. Apesar das boas referências às origens, o novo trabalho sofre com excesso de repetições e falta de músicas realmente marcantes.

Era grande a expectativa em torno do novo trabalho de uma das maiores bandas de rock dos últimos 20 anos. O Foo Fighters prometia uma volta às origens após anos turbulentos e, em diversos momentos, realmente revisita características clássicas que marcaram discos como “Foo Fighters” (1995), “The Colour and the Shape” (1997) e “There is Nothing Left to Lose” (1999). A pegada punk, os riffs acelerados e o clima de rock de garagem aparecem logo nas primeiras faixas, especialmente em “Of All People”, enquanto “Caught In The Echo” remete imediatamente ao peso e à energia vistos em “Wasting Light”.

“Your Favorite Toy” também preserva uma das marcas registradas da banda: músicas pensadas para arenas. A faixa-título e “Unconditional” carregam refrãos expansivos e momentos que certamente devem funcionar muito bem ao vivo. O álbum soa mais cru e descompromissado, como se a banda tivesse simplesmente entrado em estúdio para tocar alto e recuperar parte da energia espontânea das antigas gravações, com a vontade de fazer um som entre amigos.

O problema é que o disco nunca alcança o impacto emocional e melódico dos grandes clássicos do Foo Fighters. Falta aquela música que desperta instantaneamente, aquele refrão capaz de grudar na cabeça do fã como “This Is a Call”, “I’ll Stick Around”, “Monkey Wrench”, “Everlong”, “Breakout” ou “Stacked Actors”. Mesmo superior aos irregulares “Concrete and Gold” e “Medicine at Midnight”, trabalhos que ficaram marcados por músicas abaixo da média como “The Sky Is a Neighborhood” e “Shame Shame”, o novo álbum não entrega um hit realmente memorável.

Outro ponto negativo em “Your Favorite Toy” é a sensação constante de repetição. Até aproximadamente a sexta faixa, “Spit Shine”, a sequência exagerada de dobras vocais de Dave Grohl cria a impressão de que a mesma música está tocando continuamente. Em vários momentos, o vocalista ainda aposta em distorções e diferentes camadas de efeitos na voz que, em vez de ampliar a experiência, acabam tornando a audição cansativa.

Dave Grohl já afirmou que “cada álbum gravado pela banda é uma resposta ao anterior”. Se “But Here We Are” funcionava como um trabalho introspectivo, melancólico e claramente atravessado pelo luto, “Your Favorite Toy” surge como uma tentativa de reação: mais agressivo, acelerado e disposto a experimentar diferentes caminhos para superar a perda de Taylor Hawkins. No entanto, o excesso de ideias e referências impede o álbum de encontrar uma identidade sólida.

Apesar das passagens que realmente lembram a essência dos anos 1990, o resultado final fica distante do Foo Fighters “raiz” que transformou a banda em um fenômeno mundial do rock alternativo. “Your Favorite Toy” mostra um grupo ainda tentando entender seu novo momento e que, talvez, exatamente por isso, soe tão inquieto, irregular e, em muitos trechos, repetitivo. O melhor é que essas características não diminuem o tamanho da banda, que segue arrastando grandes públicos, sendo sempre reconhecidos como domadores de multidões. 

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